segunda-feira, 26 de abril de 2010

Eu e a minha Barriga


Nada é meu. Só a minha Barriga. E também só por enquanto... (como tudo na Vida. Às vezes estas certezas são terrivelmente maçadoras...).

Não sou dona dos afectos, porque os dou.

Não sou dona da verdade, porque a verdade não é como a matemática.

Não sou dona da razão, porque às vezes estou mais preocupada em ser feliz.

Não sou dona do tempo, senão isso poderia ser uma tragédia...

Não sou dona de cão, gato, passarinho, nuvem,... Por vezes gosto de pensar que sou dona de algumas estrelas no céu, mas tenho de perceber que não posso ser egoísta, e serão decerto as estrelinhas de mais alguém...

Não sou dona de coisa alguma que mereça destaque ou honra, porque estou a falar de coisas sérias. Sempre fui mais do Ser do que do Ter.

Mas sou dona da minha Barriga. Não tanto pelo que é, mas sim pelo que agora contém. Esta Barriga é só minha. E não, "guess what", isto não é uma democracia.

Dentro dela há Vida. Que surgiu, no meu caso, não só da minha vontade. Eu sou daquelas Mulheres que ainda acreditam que uma Criança precisa de um Pai e de uma Mãe - juntos, se possível (há outras concepções sobre o tema, mas não é esse aqui o "leitmotif"). E, se os tiver, precisa dos Irmãos, dos Avós, dos Tios, dos Primos. O ser humano precisa, ainda e sempre, de uma Família.

Mas como estava dizendo, a minha Barriga é só minha. Quase nem preciso de usar palavras com ela... que, como dizia o Principezinho, por vezes "a linguagem é uma fonte de mal-entendidos".

A minha Barriga não é complicada, não é falsa, não me julga, não me interpreta mal, não cria expectativas erradas, não amua, não fica na retranca, não desconfia, não me engana, não me pressiona, não me empurra, não me atropela, não me calca, não pede coisas que não deve pedir, não fica fria ou indiferente. Basicamente, essas coisas que meio mundo faz ao outro meio.

A minha Barriga é bonita e vaidosa, e tem lá dentro uma espécia de íman, que puxa a minha mão em muitas alturas do dia e da noite, sedenta de miminho.

A minha Barriga é só minha. Mesmo quando as outras pessoas lhe dirigem palavras doces e carinhos (que ela gosta, que eu sei).

A minha Barriga é como um Kinder Surpresa... (ainda não sabemos se pintamos o quarto de azul ou de rosa).

A minha Barriga é só minha.

Deixem-me ter esta ilusão.


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