segunda-feira, 8 de novembro de 2010

"With arms wide open"

Dia 23 de Setembro de 2010. Um dia que espero que nada me roube da memória (longe, Alzheimer…). O Francisco nasceu e eu fiz-me então uma Mulher diferente.


O que senti quando o vi a primeira vez? Quase inenarrável… Não sei se era das “drogas”, mas não chorei (digo isto porque sou da lágrima fácil…). Os olhos Dele fixaram-me. Vinha calado, sereno… Aquele olho escuro mirando-me… Parecia perscrutar-me. Tive uma sensação de Paz indescritível, e ao mesmo tempo, a partir daquele instante, compreendi perfeitamente a minha Mãe e todas as suas preocupações comigo.


Não pude pegar no Francisco ao colo, mas sentir o rosto Dele colado no meu por segundos matou momentaneamente a minha fome desesperada de Mãe.


Contei todos os minutos até poder tê-lo nos meus braços. Nunca me senti tão impotente, tão dependente… queria estar com Ele!, vê-lo, cheirá-lo, tocar-lhe!..., queria lá saber de mim. Por vezes acho que a minha cara deve ser mesmo muito expressiva, pois houve uma alma caridosa que tudo fez para encurtar o tempo do meu recobro.


Ele vinha ao colo do Pai. Senti-me tão felizarda por aquela “picture” fazer parte do meu Mundo!... Pude finalmente aconchegá-lo no meu peito, sentir o calor dele, reconhecê-lo. Não consigo traduzir muito melhor o que se sente, pois é muito forte o registo…


No dia em que o Francisco veio ao Mundo deixei de ser “sozinha”. Como li algures por aí, a partir de então o meu Coração começou a bater fora do meu corpo.


Há factos irreversíveis na Vida, e que só descobrimos que assim o eram mais tarde. Outros são reversíveis, mas depois, por alguma razão, tornam-se irreversíveis. E também há o contrário: factos que à partida parecem irreversíveis e que depois, bem vistas as coisas, não o são. Ser Mãe não cabe em nenhuma destas situações. Ter um Filho é irreversível, sabemo-lo praticamente desde o primeiro instante em que sabemos da sua existência, e isso torna-se especialmente cristalino no momento em que o vemos pela primeira vez. Somos os mesmos mas não somos mais os mesmos.


23 de Setembro. Já sei que soa a lugar-comum, mas teve momentos que foram dos mais felizes da minha Vida (a partir das 17h30, eheheheh! Até lá foi… uma experiência… marcante, digamos assim!).


Havia uma música que dizia que Setembro é o mês da Eternidade… só posso concordar. Ser Mãe é de um Amor Eterno.


2 comentários:

  1. Sim, sem dúvida és das pessoas mais expressivas que conheço.
    Bjs
    André Cordeiro

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  2. Lindo, lindo, lindo...
    Um dia saberei o q isso é ;)
    Tá mto giro o teu blog, vim espreitá-lo ;)
    É isso mmo:"... a partir de então o meu Coração começou a bater fora do meu corpo."

    beijinhos mana

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